Sabor de infância

Outono sempre foi minha estação do ano favorita: dias quentes e noites frias, maçãs, noites estreladas… e doce de abóbora. Foi-se o tempo em que eu podia ligar para minhas duas avós (sim, as duas ao mesmo tempo, porque ambas fazem o melhor doce de abóbora do mundo) e perguntar pelo meu doce de abóbora.

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Muita coisa mudou na minha vida. Agora vivo meus outonos em outros meses do ano, em outro hemisfério e muito longe das minhas avós. Não posso mais pedir pelo meu doce de abóbora, nem pela broa da minha vó Santina e muito menos uma lasanha da Nonna. Já escutei de muitos chefs que o melhor prato é aquele que faz a gente lembrar da infância, do passado, do conforto da casa… confesso que eu não entendia muito bem esse conceito até a primeira vez que cortei uma abóbora, daquelas bem pequenas, e coloquei no fogo com um pouco de açúcar – meu “teste” para o doce de abóbora. Assim que a panela começou a esquentar e desprender aquele aroma maravilhoso, juro que me emocionei. Finalmente havia entendido o que era despertar os sentimentos da minha infância com um prato tão simples.

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Hoje posso dizer que alcancei o meu objetivo: fazer meu doce de abóbora. Não é o mesmo que chegar numa tarde qualquer a visitar minhas avós e comer o doce delas. Mas certamente o meu doce de abóbora, para mim, define “fazer o que você ama e amar o que você faz“. Tudo isso só fez eu ficar com mais saudade de casa, mas também me fez pensar na possibilidade que um dia também serei avó e o meu doce de abóbora vai ser o sabor da infância de alguém.

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E para você, que sabor tem sua infância?

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Ana Poli

Ana nasceu e cresceu em Jundiaí, Sao Paulo, e aos 17 anos embarcou numa aventura – forçada, diga-se de passagem – de mudar-se com a sua família para a Cidade do México. Lá se formou em Gastronomia, e aprendeu que o mundo é grande demais para passar desapercebido. Hoje em dia vive na Estônia, trabalha como cozinheira e adora viajar, comer, e contar tudo no seu blog elculinario.org.

11 Comments

  1. Linda! Amei o post.
    Fala sobre você, mas de certa forma é exatamente o que todo mundo sente, seja com qual prato for.
    O cheirinho de casa de vó, o tempero que só elas tem e a saudades que deixam.
    Me fez sentir saudades de quando eu picava os temperos do quintal da minha avó e brincava enquanto ela preparava o nosso delicioso café *-*.
    Estava com saudades de ver seu blog.
    Beijos.

  2. Que lindo Aninha….pra mim que ñao tive a oportunidade de conhecer, e viver com minhas avós, tenho orgulho de ter passado essa sensacao a voce, e dizer que em minha imaginacao eu pude montar uma cena como essa…delícia….ameiii…te amo! sua Mamae…

  3. quando eu era moleque ia com o meu pai buscar milho verde na estrada de Itupeva.
    todos em casa ajudavamos a tirar a casca, ralar o milho, limpar tudo.
    depois a nona fazia travessas e travessas de curau, muito muito bom.
    o cheiro é inesquecivel. e as brigas para ver quem comia o ultimo pedaco também !!!!

  4. Na minha casa, vovó fazia bolo nega maluca! Saia até briga pra ver quem comia a parte do meio, onde escorria tooooda a cobertura!
    Hum… Deu até saudade!

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